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Tabelas de referência na web: como publicar dados que o leitor confere

Uma tabela de referência confiável reúne quatro camadas: marcação de tabela de verdade, com cabeçalhos ligados às células; texto em vez de imagem; dado estruturado que descreve apenas o que está visível; e data de atualização legível por pessoas e máquinas. Publicar a regra que gera os números permite ao leitor refazer a conta sozinho.

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O que torna uma tabela conferível

Tabela de referência é a página que o leitor abre para tirar uma dúvida e copiar um valor. Se houver erro, ele se espalha. O objetivo técnico, então, não é só exibir linhas e colunas, e sim mostrar como os dados foram montados, quando foram revisados e como checar qualquer linha.

A tabela dos 25 grupos do jogo do bicho é um bom caso de estudo, com regra fixa e tamanho pequeno. A tabela do Milhar do Sonho usa três colunas (grupo, bicho e dezenas), com uma linha por grupo, de 01, o avestruz, a 25, a vaca.

HTML semântico: tabela é dado, não layout

O tutorial de tabelas da W3C WAI orienta usar tabelas para dados em grade, não para diagramar a página; a aparência fica com o CSS. Cabeçalhos usam o elemento th, e dados, o elemento td.

O critério de sucesso 1.3.1 das WCAG 2.2, Informações e Relações, de nível A, pede que estrutura e relações transmitidas pela apresentação possam ser determinadas por programa ou estejam disponíveis em texto. Entre as técnicas associadas estão H51 (marcação de tabela), H39 (caption) e H63 (atributo scope).

O elemento caption dá título à tabela. Segundo a MDN, ele precisa ser o primeiro filho do elemento table e fornece um nome ou descrição acessível, o que permite a quem usa leitor de tela saber do que a tabela trata sem ouvir dezenas de células. Aqui, “Os 25 grupos do jogo do bicho e suas dezenas” resolve.

Cabeçalhos que o leitor de tela consegue anunciar

O atributo scope indica a quais células um cabeçalho se refere: col para a coluna, row para a linha. A MDN observa que, em contextos simples, o escopo é inferido, mas algumas tecnologias assistivas podem falhar nessa inferência; declarar o scope pode melhorar a experiência.

No exemplo, grupo, bicho e dezenas viram th com scope col. O nome do animal pode ser th com scope row, porque identifica a linha. Assim, na célula “37, 38, 39, 40”, o leitor de tela pode anunciar também “Coelho”. A WAI descreve esse comportamento: ele fala uma célula por vez e referencia os cabeçalhos associados, sem perder o contexto.

E a tabela deve ser texto, não imagem. O critério 1.4.5 das WCAG, de nível AA, pede texto em vez de imagem de texto quando a tecnologia permite, para que o usuário possa ajustar a exibição.

Publique a regra junto com os números

Uma tabela fica verificável de verdade quando a página mostra a regra que a gerou. Nos grupos, ela cabe em uma frase: divida a dezena por 4 e arredonde para cima, contando 00 como 100. A dezena 37 dá 9,25, que sobe para 10, o coelho. A 40 dá exatamente 10, também coelho; a 41 dá 10,25, grupo 11, o cavalo. E 00 vira 100 ÷ 4 = 25, a vaca.

Com a regra à vista, o leitor confere qualquer linha sozinho. A soma também fecha: 25 grupos × 4 dezenas = 100 dezenas, de 00 a 99, cada uma em um único grupo. Por isso a chance de acertar o grupo na cabeça é de 4 em 100, ou 1 em 25.

Para quem publica, vale gerar a tabela com a mesma função que implementa a regra, em vez de digitar 100 dezenas à mão, e manter um teste que percorra de 00 a 99 conferindo quatro dezenas por grupo. Para este texto, as 25 linhas da tabela citada foram comparadas com a regra, e todas conferem.

Dado estruturado que descreve só o que está na tela

O Google aceita dado estruturado em JSON-LD, Microdata e RDFa e, em geral, recomenda JSON-LD, por ser mais fácil de implementar e manter em escala. No vocabulário schema.org existe o tipo Table, descrito como uma tabela em uma página web e derivado de WebPageElement, que deriva de CreativeWork.

Duas regras do Google evitam problemas: não marcar conteúdo que o leitor não vê, porque o dado estruturado precisa representar fielmente a página; e saber que marcação correta não garante exibição especial nos resultados. O JSON-LD descreve a tabela que o usuário enxerga, com os mesmos valores.

Data de atualização legível por pessoas e máquinas

A página do Google sobre datas orienta rotular a data visível com textos como “Última atualização” e usar datePublished e/ou dateModified no dado estruturado. O tipo Table herda de CreativeWork a propriedade dateModified, que aceita data ou data com hora. A orientação também pede fuso horário correto quando ele for informado, data visível igual à marcada e nada de datas futuras.

No HTML, o elemento time liga as duas pontas: o texto mostra “7 de outubro de 2026”, e o atributo datetime guarda 2026-10-07T10:00-03:00, formato com data, hora e fuso que a MDN trata como legível por máquina. O mesmo valor vai para o dateModified.

A data pesa mais quando o dado muda. A tabela dos grupos é estável; uma cotação, não necessariamente. Na leitura de 16/09/2026, a página de cotações do Milhar do Sonho informava que a milhar paga 8.000 vezes. A conta é nossa: com chance de 1 em 10.000, 8.000 ÷ 10.000 dá retorno esperado de 80% e margem de 20%. Se o multiplicador mudar, só a data diz qual versão o leitor consultou.

Checklist antes de publicar

Confira: caption como primeiro filho da tabela; th com scope; conteúdo em texto; regra de cálculo visível e testada; JSON-LD igual à tela; data rotulada, com time e dateModified coerentes.

No contexto legal, o art. 58 do Decreto-Lei nº 3.688/1941 trata como contravenção penal explorar ou realizar o jogo do bicho. Uma tabela bem marcada informa, mas não altera esse enquadramento.

Este conteúdo sobre jogo do bicho destina-se a maiores de 18 anos. O jogo do bicho não é modalidade autorizada pela legislação federal.

Perguntas frequentes

O atributo scope é obrigatório em uma tabela simples?

Não. Em contextos simples, o escopo é inferido, mas a MDN observa que algumas tecnologias assistivas podem falhar nisso; declarar scope col ou row pode melhorar a experiência.

Dado estruturado garante destaque no Google?

Não. O Google afirma que não garante a exibição do dado estruturado nos resultados, mesmo com marcação correta, e pede que ele não descreva conteúdo invisível na página.

Como conferir o grupo de uma dezena sem consultar a tabela?

Divida a dezena por 4 e arredonde para cima, contando 00 como 100. A dezena 37 dá 9,25, grupo 10, o coelho; a 00 dá 25, a vaca.

Fontes

  1. www.w3.org/WAI/tutorials/tables/
  2. www.w3.org/WAI/WCAG22/Understanding/info-and-relationships.html
  3. www.w3.org/WAI/WCAG22/Understanding/images-of-text.html
  4. developer.mozilla.org/en-US/docs/Web/HTML/Reference/Elements/caption
  5. developer.mozilla.org/en-US/docs/Web/HTML/Reference/Elements/th
  6. developer.mozilla.org/en-US/docs/Web/HTML/Reference/Elements/time
  7. developers.google.com/search/docs/appearance/structured-data/intro-structured-data
  8. developers.google.com/search/docs/appearance/structured-data/sd-policies
  9. developers.google.com/search/docs/appearance/publication-dates
  10. schema.org/Table
  11. schema.org/dateModified
  12. www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del3688.htm

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